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O perfume para a vida espiritual

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Hoje vamos falar de aroma, vamos falar de perfume!

Com a ajuda de São Bernardo de Claraval, iremos mergulhar nesse universo que, sem dúvidas poderá nos ajudar num caminho de maior profundidade espiritual e de intimidade com o nosso Senhor Jesus.

Antes de tocarmos na dimensão espiritual, creio ser conveniente, entendermos brevemente como se dá a confecção de um perfume.

Trata-se de uma mistura de água, álcool e óleos (essências aromáticas), cuja principal função é proporcionar uma agradável fragrância de aromas, em especial, ao corpo humano, mas também a objetos, ou lugares.

Ou seja, sabemos que o perfume é percebido pelo sentido do olfato, e sendo sua função propagar aromas, de maneira direta e objetiva, ele desperta emoções e comunica algo! Sim, os aromas são claramente uma importante fonte de comunicação!

O que torna um perfume especial?

A escassez e raridade da essência usada para sua elaboração. Pois, os óleos e suas famílias aromáticas são extraídos de matérias primas, especiarias, flores, vegetais, frutas etc. e quanto mais específico e rara for essa matéria base, mais caro é perfume!

Muitas vezes, para se produzir um perfume fino, é preciso vasculhar em florestas, vales, ilhas, com acessos restritos, extração limitada e com isso, a produção torna-se, igualmente limitada, por fim, obteremos um perfume de altíssima qualidade, desejado e muito apreciado.

A partir desse, raso entendimento, podemos visitar os escritos de São Bernardo, e absorver o que deseja nos comunicar o Espírito Santo.

Podemos resumir a nossa vida espiritual em famílias aromáticas, cuja base, ou seja, a matéria prima para a elaboração de nossos perfumes, são subdivididas em três, são elas, a da contrição, a da devoção e por fim a da piedade.

 “O primeiro provoca dor; o segundo modera, acalmando a dor; o terceiro cura, porque também expulsa a dor” SBC.

Vejamos em detalhe em que consiste cada uma das famílias aromáticas da vida espiritual.

O perfume da contrição.

 Ao visitarmos o primeiro perfume, o da contrição, entendemos que se trata, obviamente dos aromas provenientes de vossos próprios pecados, cujo perfume é preparado com a matéria prima do arrependimento, da consciência das próprias misérias.

É com esse perfume, que nós iniciantes da vida espiritual precisamos perfumar a casa toda, “arrumamos a casa, perfumamos ela toda” (música Emaús – Morada).

Aparentemente, sua matéria prima é desprezível, sem valor, no entanto é justamente essa contradição que o torna um perfume inebriante, que atraí de forma especial os sentidos do Senhor Jesus, ao mesmo tempo que nos faz lembrar de nossos pecados e a repugná-los.

 “(…)Então Maria, tendo tomado uma libra de um perfume de nardo puro, muito caro, ungiu os pés de Jesus e os enxugou com os cabelos; e a casa inteira ficou cheia de perfume do bálsamo” (Jo 12, 3)

O que se viu de forma concreta, com o perfume sendo derramado pelas mãos de Maria aos pés do Senhor Jesus, não podemos deixar de obter um olhar espiritual cujo movimento era um claro derramamento do perfume da contrição, no lugar mais adequado, aos pés do mestre.

 “Porque se consideramos com quanta fragrância é perfumada a Igreja pela conversão de um só  pecador, e a quantos dá vida, e só vida, o odor de um só pecador, se ele se arrepender pública e perfeitamente, diremos também, sem dúvida, que a casa se encheu do odor do bálsamo”  SBC.

A casa se encheu do perfume do bálsamo! A nossa vida, a nossa família, a nossa comunidade, a Igreja, a humanidade, carece de sentir verdadeiramente o perfume que exala das almas contritas e apaixonadas pelo Senhor, que não encontra outro lugar para derramá-lo se não, aos pés dEle.

O perfume da devoção

 Já o perfume da devoção, é aquele que provoca na vida do fiel, recém convertido o aroma da penitência, que retirados do caminho da depravação, rapidamente retribuímos ao Amor pelo ânimo da penitência.

A elaboração desse perfume é um pouco mais complexa, já que seus “ingredientes” não estão tão acessíveis e de fácil acesso como o primeiro caso. Há um esforço maior, exigindo ao penitente vasculhar lugares até então nunca acessados.

Diferente do primeiro caso, cuja matéria prima se encontra “facilmente” dentro do próprio “jardim”, afinal, nossas iniquidades, nossos pecados e nossas misérias estão constantemente à nossa disposição, a não ser que as escondamos, estarão sempre lá.

Confortai-vos pusilânimes, aqui, no perfume da devoção que nos impulsiona a penitência, está o seu caminho da vitória.

No entanto, como supracitado, os ingredientes para sua elaboração não estão disponíveis em cada um de nós, mas são benefícios a nós conferidos a partir do alto. Cabe a nós, atentamente recolhê-los, reuni-los e utilizá-los adequadamente.

 “Quando forem socados e triturados no almofariz (moedor) do peito com o soquete de assídua meditação, depois cozidos todos juntos com o fogo do santo desejo e finalmente banhados com o óleo da alegria, serão uma unção muito mais preciosa e excelente do que a primeira” SBC.

Se aquele era o perfume a ser derramado nos pés, esse é então o bálsamos digno da cabeça do Senhor, talvez, quando, na casa de Simão o Senhor disse “não me derramaste óleo na cabeça” (Lc 7, 46), Ele estivesse dizendo muito mais do que um ato simbólico, estava sugerindo ao fariseu que deveria se apropriar dos favores do céu, e dar um pleno sentido à sua devoção pautada no legalismo, afinal, estava diante dele Aquele cuja, honra, glória, louvor e adoração deveria ser oferecida.

O perfume da piedade

Este é o aroma mais perfeito, dentro de nossa reflexão, e é aquele cujo fruto se mede pela gratidão, ação de graças. Como vimos, é esse o perfume responsável pela cura já que não apenas modera a dor, mas em definitivo expulsa a doença.

É justo que eu seja grato, de todos os benefícios recebidos, e por isso, é o mais perfeito e raro entre os compostos aromáticos sugeridos, afinal, ele é composto das lembranças e memórias das experiências anteriores, “não se pode ver a luz enquanto olha as trevas” SBC.

Olhemos então, quem são os que se gloriam e exalam esse perfume de forma exuberante, “Quanto a eles, saíram do recinto do Sinédrio regozijando-se, por terem sido achados dignos de sofrer afrontas pelo Nome de Jesus” At 5,41.

Como e onde encontrar os compostos necessários para esse perfume? Se não, no seio do Espírito Santo, que, encontrando espaço dispensa sobre seus filhos, os ingredientes necessários de piedade, que nós traduzimos em perfeita gratidão.

São ingredientes raros, de difícil acesso e que exige muita dedicação e entrega para acessá-los.

De fato, estão disponíveis, mas não tão acessíveis pois, não depende em absoluto do esforço de quem os busca, mas única e exclusivamente da graça de que os fornece que, não o faz obviamente sobre os que não foram capaz de viver as experiências anteriores. Ninguém começa a produzir perfumes por finas essências, antes é preciso muita experiência com ingredientes menos “requintados”.

 “Os peitos derramavam por toda parte o santo licor que destilavam, do qual estavam plenos, quando falavam em várias línguas as grandezas de Deus, segundo o Espírito lhes concedia que falassem” At 2, 4 SBC.

Nesse caso, tomo a liberdade de trazer a memória a Virgem Santíssima Maria que, como cantamos, é fonte de atração ao Espírito Santo pois, exala o perfume da piedade, e numa constante, quanto mais exala, mais é alimentada pelo próprio Espírito Santo, que lindo esse mistério.

 O que nos resta?

Diante de tantas maravilhas reveladas, devamos nos observar a nossa vida espiritual, e investigar se já estamos exalando algum tipo de essência, não porque nos edificamos com o próprio aroma, mas porque de alguma forma, estamos a comunicar, através dos mais simples ou complexos compostos, a santidade, que não é e nunca será mérito nosso, mas sim do nosso Senhor.

No final do dia, são perfumes que, espiritualmente comunicam e revelam A Verdade, o nosso Deus, Jesus Cristo.

Seja como for, a tradição da Igreja Católica nos ensina, os santos exalavam de fato, o que conhecemos hoje como um “Odor de santidade”. Esse é o convite para mim e para você, trazer o perfume do céu, que purifica, inspira e constrange uma humanidade que fede a decomposição de sua autossuficiência.

Pedimos a intercessão de São Bernardo de Claraval, que pela graça e agir do Espírito Santo é o responsável por alcançar e nos revelar essas maravilhas.

Graça e Paz,

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