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A cabeceira da mesa tem dono!

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Você sabia que as regras de etiqueta, protocolo e boas maneiras, em alguns casos, tem a ver com a vida espiritual? Pois é, vamos tentar, de forma simples, mergulhar nesse mistério.

Indo direto ao ponto, em uma cerimônia ou até mesmo em uma dinâmica mais solene das disposições gerais dos lugares à mesa, cada lugar é criteriosamente demarcado, ou seja, ainda que não se diga explicitamente, é uma forma visível de comunicar quem sãos as autoridades, quem são os convidados de honra e quem é o anfitrião.

É verdade que na sociedade atual, muitos desses costumes se perderam, sobretudo quando se trata da figura do homem, e precisamos investigar se essa diluição não é fruto de uma latente realidade relativista e inversão de papeis.

A mesa é um lugar sagrado

Na cultura judaica, cada refeição é um momento muito sagrado, afinal é o momento oportuno de louvar e agradecer pela providência em nossas mesas e pelo dom da criação ou seja, fazer memória de quem somos e de quem é Deus, nesse sentido já trazemos para nossas mesas um sentido sagrado, afinal é a presença de Deus no meio de nós.

A mesa precisa ser entendido com um altar em nossas casas, afinal assim como acontecia no passado, e acontece em todas as santas missas (com suas duas mesas, da palavra e da eucaristia), é nesse sagrado lugar que a oferta e o sacrifício se estabelecem para que verdadeiramente, sejamos alimentados, física e espiritualmente.

Jesus, o anfitrião!

 “E, uma vez à mesa com eles, tomou o pão, abençoou-o, depois partiu-o e deu a eles. Então seus olhos se abriram e o reconheceram…” Lc 24, 30-31

Jesus, o sacerdote, profeta e rei por excelência, através de suas ações, de seu comportamento no ensina a dar pleno sentido nesse múnus batismal que está sobre nós, enquanto leigos casados e sacerdotes de nossas casas, como a cada um dos sacerdotes ordenados que exercem a sua vocação na igreja.

Ele (Jesus), se coloca a mesa com os discípulos, não sozinho, mas com alguém, afinal a mesa é um lugar de encontro, é a oportunidade de reunir toda a família, toda a igreja, não apenas fisicamente, mas espiritualmente.

Perceba que o texto narrado no evangelho de São Lucas (te convido a ler o episódio completo, os versículos 13 a 35), propõe que dois discípulos, estão caminhando, distraídos e com o olhar voltado a si mesmos.

Então Jesus, como um autêntico sacerdote e anfitrião, estrategicamente senta-se com eles, e transforma uma refeição que poderia ser apenas mais uma, num verdadeiro sacramento, ou seja, um evento visível para levá-los a uma experiência transcendente, que toca o sobrenatural.

O anfitrião é sinal da graça

O anfitrião conduz e traz para si o protagonismo do evento. Jesus toma o pão, abençoa e distribui e não o faz com autoritarismo, mas com autoridade.

Afinal, não opressão, obrigatoriedade. E sim, admiração como quem o faz porque se coloca no lugar que é seu por direito, na perspectiva de serviço, doação e sacrifício.

Nessa hora não há mais distrações, nessa hora os olhares não estão voltados a si mesmos, mas para Ele, é como se Jesus tivesse novamente tomado as rédeas de “animais” até então desgovernados e sem rumo, e então, a verdade se revela, os olhos se abrem e aqueles homens vivem uma verdadeira experiência com o Senhor. A partir disso decidem voltar para Jerusalém e assumirem os seus devidos lugares.

O sacerdote, persona christi.

Em cada Santa Missa, vivemos a mesma experiência.

O sacerdote que é “persona christi”, ou seja, “na pessoa de Cristo”, é pressuposto que ele age na pessoa de Jesus Cristo, responsável por unir o ser humano a Deus, minimizando esse imenso abismo que existe entre as duas realidades. É o sacerdote que através de toda realidade sacramental, dos sinais visíveis nos conduzem a uma experiência com o Senhor Jesus, de forma que ao reconhecê-lo, o nosso coração se inflame e possamos agir em conformidade com a sua santa vontade.

A cabeceira e o dono

Até esse momento você pode estar imaginando, o que de fato tudo isso tem a ver com o título “a cabeceira tem dono”, com essa questão de etiqueta e boas maneiras?

Nossas casas precisam ser uma expressão visível, que nos leva a uma experiência espiritual, e muitas vezes isso se dá de forma simples com simples gestos concretos. A mesa é uma extraordinária oportunidade de começar essa dinâmica.

A cabeceira, que é lugar central, deve ser ocupado pelo anfitrião, o homem da casa, aquele que conduz o evento, que ergue o pão, que dá graças que traz para si o protagonismo não para que seja apenas admirado, mas para que exterminando com as distrações leve sua casa reconhecer o próprio Jesus, afinal nessa hora os homens assumem sobre a dimensão de “persona christi”.

Precisamos resgatar, os valores e costumes que ajudam nesse caminho de santidade.

As famílias são o alvo de satanás, e ao mesmo tempo é a família consagrada a grande novidade da vida cristã.

Sabemos que muitas vezes o contexto familiar não permite que tenhamos uma vida de oração silenciosa e solitária, por isso, uma dica é começar com as refeições.

O encontro de oração na refeição

Não se começa a comer antes que o anfitrião se sentar e conduzir a oração, o lugar da cabeceira é do sacerdote, do marido ou seja “o lugar do papai”, em sua ausência por alguma razão deve ser ocupado pela esposa.

Nenhuma refeição, principalmente deve ser feita fora da mesa, lugar de alimento físico e espiritual, lembra? Não deve haver distrações, celulares e televisão não são bem vindos nessa hora.

Mesmo que em sua casa, aparentemente um costume diferente já tenha se estabelecido, não tenha medo ou vergonha, mude, comece de novo, nunca é tarde para colocarmos em prática as novidades que o Espírito Santo nos propõe!

Pode parecer movimentos pequenos, mas acreditem, o Senhor Jesus tem predileção em a partir de ofertas e movimentos “pequenos”, realizar obras extraordinárias.

“Há aqui um menino, que tem cinco pães de cevada e dois peixinhos” Jo 6, 9

Deus abençoe vocês,

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