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Eai, já foi batizado no Espírito Santo?

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Não são sensações corpóreas gostosinhas, arrepios e “tremeliques” que dirão se você passou, ou não passou pelo batismo no Espírito Santo. O que atestará verdadeiramente a passagem por tal experiência pentecostal é sua vida. Se demonstrares uma vida de profunda e contínua conversão, de entrega a Deus e de doação aos irmãos, sim, o fogo desceu. Do contrário, foi só o efeito de estímulos sensoriais, que no máximo te trouxeram algum prazer.

Para compreendermos, ainda que de maneira rasa, o batismo no Espírito Santo, precisamos saber quem é a terceira pessoa da Santíssima Trindade, e para isso precisamos olhar para o que Ela realiza.

 

1º O Espírito Santo ordena tudo

 

No princípio, Deus criou o céu e a terra. Ora a terra estava vazia e vaga, as trevas cobriam o abismo, e um sopro de Deus agitava a superfície das águas” (Gn 1,1).

Já encontramos a presença do Espírito Santo de Deus no primeiro versículo, do primeiro livro das Sagradas Escrituras. “Sopro” do hebraico “Ruah” nomeia o Divino Espírito que agitava, pairava, movia a superfície das águas.

“Deus criou o céu (realidade espiritual) e a terra (realidade material)”, e logo na sequência por meio de sua Palavra iniciou a ordenação de tudo. Tudo foi criado por e pelo Verbo de Deus. Luz, dia, noite, firmamento, astros, mares, ares, vegetação, animais, homens, são frutos da ação criadora ordenadora amorosa da Trindade. Por amor o Pai cria, pelo amor o Pai criou!

Em seu ato criador o Pai profere o Verbo que se propaga através do Ruah.

O Ruah que procede do Pai e do Filho, amante e amado, é o próprio amor transbordado no gênesis de tudo. Quando mergulhamos no Antigo Testamento, nas histórias do povo de Deus, vemos que através de Patriarcas, Profetas e Reis cheios do Espírito Santo a ordem é estabelecida sobre o caos, assim como acontecera na criação. Homens e mulheres primeiro ordenados, convertidos em instrumentos da ordem divina.

 

2º O Espírito Santo movimenta tudo

 

Quando fomos batizados, em nossa mais tenra infância, passamos a ser morada do Espírito. Isto já é uma grande coisa, nosso caráter muda com o sacramento batismal. Deixamos de ser criaturas e passamos a ser filhos de Deus, coerdeiros de Cristo.

Porém, ser batizado não significa a certeza de céu, significa possibilidade de céu. Uma coisa é ser morada do Espírito, outra bem diferente é deixa-lo mover-se em nós ao seu bel prazer.

Ainda sob a perspectiva dos grandes homens e mulheres da bíblia, percebemos que estes viviam sob o influxo do Espírito Santo. O Doce Hóspede da alma ia e vinha, se movia como e quando bem entendia, e por isso conduzia seu hospedeiro e todo o povo para perto de Deus.

E é claro que após o Pentecostes, quando a ação do Espírito se tornou universal e comum a todos os homens e mulheres de fé, que mais e mais santos foram sendo levantados. Sim, isso mesmo, se você acaba de fazer o link de que os patriarcas, profetas, reis e santos de nossa Igreja foram, portanto, batizados pelo Espírito Santo, você está certíssimo.

 

3º O Espírito Santo defensor e acusador

 

“No entanto, eu vos digo a verdade: é de vosso interesse que eu parta, pois, se não for, o Paráclito virá a vós. Mas se for, enviá-lo-ei a vós” (Jo 16,7).

Um dos títulos mais famosos do Espírito é “Paráclito”, que dentre seus vários significados e atribuições estão o de defender, ensinar e acusar segundo a verdade.

“E quando ele vier estabelecerá a culpabilidade do mundo a respeito do pecado, da justiça e do julgamento: do pecado, porque não creem em mim” (Jo 16,8-9).

Sendo Ele o “Espírito da Verdade” (Jo 14,17) é evidente que Ele nos aponta a verdade, e os movimentos necessários para nossa conversão. Aliás, este é o movimento mais desejado pelo Espírito de Deus para cada um de nós: conversão.

Tenho certeza que já sabia que o Espírito, o Advogado de nossas almas, defende-nos de tudo que pode nos oprimir e colocar nossa salvação em risco, mas de que o Ruah de Deus nos acusa quando estamos na mentira, isso duvido que tenha escutado.

É óbvio que apontar o erro, desejando a conversão do infrator é bem diferente de acusar para que o infrator seja condenado. Esta última ação é própria de Satã e de seus anjos caídos, mas a primeira é papel do Deus Espírito que convence a cada um de nós de nossos pecados e nos concede as armas necessárias para podermos vencê-los.

 

Todos os santos foram batizados no Espírito Santo

 

Em resumo, ordenar, movimentar, defender e acusar, tudo para que possa haver conversão. Mas não qualquer conversão, estamos falando de santificação. Não basta deixar de pecar, é necessário progredir nas virtudes e desejar a perfeição, esse é o verdadeiro efeito do batismo no Espírito Santo.

Todos os santos foram batizados sacramentalmente, claro, e evidentemente se tornaram uma casa livre para o doce hóspede da alma. Isso mesmo, todos os santos foram batizados no Espírito Santo.

Como olhar para um Padre Pio que se bi locava e negar esta experiência pentecostal? Como entrar em contato com os escritos de santa Teresa D`Ávila, de Santa Teresinha, de São João da Cruz, e tantos outros doutores de nossa Igreja e negar este batismo no fogo?

Por fim, a dica de ouro para que o batismo do Espírito Santo possa acontecer em sua vida, anota aí: desejar! Desejar a santidade. Desejar ser casa livre do Senhor da Liberdade. Desejar uma experiência perene e efusiva do amor de Deus. Todos os batizados sacramentalmente podem e devem desejar o batismo no Espírito Santo, conservadores ou progressistas, não importa, o importante é ser santo, e santidade é o sinal de quem foi batizado pelo Espírito Santo de Deus.

 

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