Apaixonado ou ídolatra?
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Apaixonado ou idólatra? Eis a questão!

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Iniciamos um ano crucial em nossa comunidade, tempo em que o Senhor quer devolver o desejo pujante aos seus filhos desanimados, de serem Santos pela via de nosso carisma! Porém, estamos carecas de saber, e pelo menos eu estou, de que o pecado da Idolatria nos ronda, e deste conhecimento surgem as perguntas: o idólatra é um apaixonado? Ou, as paixões são ou não são idolatrias?

A origem dos termos

Bom, antes de partilhar com vocês a resposta que o Senhor me deu, vamos ver os significados e origens de cada termo.

Paixão: Do grego “pathos”, paixão, afeto ou sofrimento. Do latim passio, onis “passividade, sofrimento”. Segundo o Aurélio: Sentimento intenso que possui a capacidade de alterar o comportamento, o pensamento etc.; amor, ódio ou desejo demonstrado de maneira extrema.

Idolatria: A palavra idolatria herda dos radicais gregos eidolon + latreia, onde eidolon seria melhor traduzido por “corpo”, e latreia significando “adoração”. Ação de cultuar ídolos; o culto que se faz aos ídolos. Excesso de amor; admiração demonstrada de maneira exagerada.

Ao cruzarmos as origens e significados destas palavras percebemos que apesar de suas etimologias serem bem distintas uma da outra, parte de sua significação se assemelha. Ambas expressam “amor e desejo demonstrado de maneira extrema (paixão), amor e admiração demonstrada de maneira exagerada (idolatria).

A resposta para nossa dupla pergunta inicial está aqui, nas entrelinhas. Na verdade, no paralelismo de dois pares de palavras.

Desejo e admiração

As duas palavras exprimem um forte movimento que nasce no interior do Homem, sendo que a primeira (desejo) é o ato de querer algo. Já a segunda (admiração) é o ato de contemplar algo. Portanto, nascem no interior, mas geram ações exteriores. Estão ligadas sempre à um objeto direto. Quem quer, quer algo ou alguém. Quem admira, admira algo ou alguém. Em resumo, o problema é o que, ou quem se deseja, e ou admira. Se desejo e admiro o bem, o belo e o verdadeiro, se consiste, enfim, em algo ordenado, e, portanto, bom. Mas se nutro estes dois movimentos interiores pelo mal, feio e mentiroso, então há desordem, portanto mau.

O outro par de palavras é extrema/exagerada. Demonstrar algo de maneira extrema é sinônimo de demonstrar algo de maneira exagerada. Ardente, radical, intenso, forte, violento, enérgico, ativo são sinônimos também destes dois termos. Ambos são advérbios de modo nestas frases estudadas e nos dizem como se deseja, ou como se admira.

Voltando ao objeto direto da frase, e à questão da ordem e da desordem, se estou apaixonado por algo bom, belo e verdadeiro, preciso e devo manifestar esse desejo de maneira ardente, afinal, esta força interior moverá o exterior para que o fruto benéfico, belo, e veraz dessa paixão aconteça.

Um Deus apaixonado

Foi assim com Cristo, que sendo Deus se fez homem por amor extremo aos homens. Ao contrário do que dizem por aí, a Paixão de nosso Senhor não começou no Getsêmani, mas em Belém em uma manjedoura, com sua encarnação. Um ato extremamente radical vindo de um Deus.

O cume da demonstração desse desejo ardente do Criador por suas criaturas se deu na Paixão e Morte de Cristo. Por ser o sujeito apaixonado, a própria divindade, que encerra em si todo bem, toda beleza e toda a verdade, conclui-se que este movimento violento foi perfeitíssimo. A consequência foi a abertura do céu, não tem nem o que discutir. Que belíssimo fruto. E que radicalidade. Um Deus que se encarna e que morre por nós!

Seria loucura de nossa parte julgar Deus idólatra dos homens. O que gerou a economia da Salvação foi seu amor por nós, e não uma simples admiração. Foi Paixão por sua obra prima. E não idolatria.

Idolatria é uma paixão desordenada

Quando idolatramos algo, ou alguém, pode ter certeza de que alguma coisa em nós está desordenada. Afetos, emoções, sentimentos, pensamentos, papéis, relações, há algo de errado. As demonstrações são consideradas exageradas e extremistas no péssimo sentido, pois não geram frutos bons, na verdade ruins e amargos.

Podemos concluir então, que o apaixonado é idólatra, se possui uma paixão desordenada, orientada para um ídolo. Agora se a paixão é fruto de um amor ardente e ordenado, é justo que se gaste tudo que se tem para realizar determinado ato. É justo que aquilo que muito custe, muito valha.

A santidade ordena a paixão

Por fim o grau de santidade é quem regula paixões ordenadas e desordenadas. Quanto mais santo, mais ordenado, mais voltado para o infinito e perfeito. Quanto menos santo, mais desordenado e voltado para o finito e imperfeito.

Cristo nosso modelo de homem, era apaixonado por Deus, seu Pai e por realizar a Sua Santa Vontade. Era apaixonado por nós, paixão de Seu Pai. Precisamos imita-lo urgentemente, nos apaixonando pelas mesmas coisas que Ele, ou no fim acabaremos idólatras, exagerando em demonstrações de amor e admiração, por quem ou pelo que deveria, no máximo, ter nossa atenção comedida e ser colocado em seu devido lugar.

 

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