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O Divino Pelicano

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Semana passada estivemos de férias aqui na Comunidade de Vida, e uma das maravilhas de Deus foi podermos ir à missa em nosso dia de Cela e no Domingo do Senhor.

No altar da Igreja de São Benedito, Guararema – SP, tem um pelicano alimentando seus filhotes. Já tinha lido algumas vezes sobre isso, mas agora encontrei sentido.

 

“O pelicano é uma ave aquática que tem sobre o peito uma grande bolsa na qual guarda o alimento (peixes) para os seus filhotes. Dá-lhes de comer com muito carinho e paterno amor; todavia sente que isto lhe vai tirando as forças e o encaminha para a morte – o que faz que sofra grandemente. Receando que a vida se protrai em tais condições, resolve dar a si mesmo o golpe mortal: ergue-se, abre as asas e com seu bico pontiagudo fere mortalmente o coração.” – Prof. Felipe Aquino

 

Para que seus filhotes não morressem, o pelicano tira de si próprio o alimento.

Se até os animais são capazes de perpetuar a espécie de uma forma quase heroica, quem dirá nosso Deus que nos alimenta com o Pão da Vida Eterna. Logo nós, mais miseráveis que os filhotes do pelicano.

 

O Coração

É interessante vermos que não é carne de qualquer lugar do corpo, é carne do peito e por mais que adoremos cada milímetro do Sagrado Corpo de Jesus, Seu coração tem uma beleza especial.

Coração é intimidade, é da onde provém toda bondade e maldade do homem. Quando alguém diz que está entregando seu coração, logo pensamos na entrega de alguém por completo. Corpo, alma e espírito.

É o coração que ama, que é misericordioso, que tem compaixão, que sente contrição, que lamenta os pecados e que é ferido pela maldade.

Alice Von Hildebrand diz que o coração é o que nos torna vulneráveis, ou seja, Jesus entregou até mesmo sua vulnerabilidade que é inerente a condição humana.

Cada parte do Ser de Deus foi-nos entregue. Quando não tínhamos mais o que comer e nem beber, perdidos e sem vida, Ele nos alimentou com seu Corpo Santo.

 

Entrega de Vida

Nós, enquanto consagrados, já estamos cansados de ouvir que precisamos nos sacrificar. E Deus mais uma vez deseja nos lembrar disso, Ele pede que rasguemos nosso peito.

É preciso dar da minha própria “carne” para a salvação das almas, e nosso carisma possui “filhotes” bem específicos, que são as meninas e meninos da Fundação Casa, e também as almas que o Senhor nos confiou e irá colocar sob nossos cuidados ainda.

Através da boca de um profeta e amigo da Comunidade, nosso irmão Júlio Neto, Deus disse que nosso útero seria emprestado para que fosse gerado filhos e filhas espirituais, para o Reino dos Céus.

Geramos com e pelo Espírito Santo, na formatação Cristo Libertador, e alimentamos com nossa própria vida. Já não somos mais sozinhos, mas um com o Sagrado.

Como uma mãe que amamenta seu filho, um pelicano que fere a si mesmo para seus filhotes e o Cristo que morre na Cruz.

 

Somos todos pelicanos

A Maternidade dilata o coração, a cada nova restituição, acontece uma expansão dos nossos corações dentro desse calvário (Maternidade Mariana da Divina Misericórdia).

Cada um que chega aqui para a restituição é Deus que pega nossos corações e estica de um lado para outro, pois coração duro e enrijecido não é capaz de amar.

Não amamos por natureza, nossa tendência é ao egoísmo, isolamento e indiferentismo.

No nosso primeiro dia aqui, no Lar Santa Maria, recebemos a profecia de que o Senhor iria dilatar nossos corações para acolher muitos homens, mulheres, jovens e crianças imersas em qualquer realidade de escravidão humana.

E com a graça de Deus, estamos vendo isso acontecer. Ele está nos dilatando para o amor, pois nossa vida cristã só se realiza plenamente quando amamos. E o amor exige entrega de si.

 

Um lugar de cura e misericórdia

Muitas vezes nos deparamos, na vida dos acolhidos, com os nossos maiores traumas e medos. E é bom que isso aconteça, porque ai de nós se acharmos que estamos dando muito e eles nada, ai de nós.

Ai de nós quando cairmos na besteira de acharmos que damos, mais do que recebemos. Jesus é quem nós da tudo, por graça e misericórdia.

Ele nos cura na missão, pois restituição não é um belo trabalho social. Restituição é Calvário, e no calvário existe um Deus que viveu o Kenosis.

E ali sim, tem um Coração Gigantesco!

 

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