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O desânimo também é orgulho

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Como bem sabemos, é típico reconhecermos o pecado do orgulho/soberba em falas que sempre buscam sair por cima dos outros, querer ser melhor, ser o centro das atenções e atitudes que buscam a vã glória constante.

Mas, recentemente, li uma oração de Santa Teresinha, e esse trecho expressa muito bem o outro lado desse pecado: “Mas oh! como sou fraca; de manhã proponho ser humilde, e à noite reconheço ter pecado por orgulho. Vendo-me tal, sou tentada a desanimar, mas sei que também o desânimo é orgulho.”

Aqui, precisamos entender a profundidade que esse sentimento tem no coração dela, porque não era algo de momento, era algo constante que ela sentia: desânimo. E precisou lutar durante sua vida toda, contra essa tendência depressiva e triste que ela possuía.

O pecado em si

Um dos principais motivos que ela tinha para a desistência era o sentimento de incapacidade que a acompanhava desde a infância, e se formos pensar parece até um motivo justo, não? Sabemos que somos incapazes mesmo, somos pecadores e nunca seremos merecedores da graça de Deus.

Teresinha tinha 15 anos quando entrou para o Carmelo, o que aquela “criança” poderia fazer de extraordinário? Então por que não desistir da santidade logo? Porque continuar, sendo que eu caio tantas vezes no mesmo pecado?

Todo e qualquer sentimento que nos leva ao desespero, jamais será virtuosa. Pois somos tentados a todo tempo em desconfiar de Deus, de não acreditar em Suas promessas e principalmente, em não confiar na Sua infinita misericórdia.

E isso é extremamente perigoso, porque começo a ter uma visão oposta do que Deus é: amor. O desespero nos leva a não confiar no amor de Cristo por nós, e isso é pecado mortal, pois o orgulho nada mais é, do que a confiança em si mesmo.

Nossa purificação

Se eu pudesse especificar um momento da Paixão do Senhor que nos purificou da tendência melancólica, que alguns possuem, seria a agonia no Monte das Oliveiras.

Lá, Jesus sofreu na alma. Padeceu em sofrimento por todos os pecados cometidos no passado, presente e futuro de toda a humanidade. Ele sentiu o peso e o abandono. Sentiu a angústia, e rogou ao Pai para que O livrasse daquele cálice.

MAS O VERSÍCULO NÃO PARA POR AÍ. Em seguida Jesus diz: “Contudo, não seja como eu quero, mas como tu queres” (Mt 26,39).

Eis aí nossa purificação! Mesmo em meio a agonia, que nunca saberemos o peso, Ele permaneceu confiante na vontade do Pai.

O chamado universal

A vontade do Pai é que sejamos perfeitos como Ele é perfeito (Mt 5, 28), por isso, Deus não iria querer algo de nós, se não fosse possível. Essa é a resposta para as perguntas que fiz lá em cima. Ele dá a graça para permanecermos na nossa vocação, dá a graça para passarmos pelas tribulações, dá a graça de vencermos nossos temperamentos e dá a graça de amarmos.

Teresinha só foi santa, porque compreendeu isso e colocou em prática. Ela entendeu a força que era necessária para alcançar a santidade, e lutou violentamente contra suas tendências para isso.

Em seu livro História de uma Alma, podemos ver claramente que ao final de sua vida, Teresa de Lisieux já tinha se abandonado cegamente no amor misericordioso de Deus. Pois a esperança cristã é fundada na rocha firme, a Verdade. E a Verdade não engana, não ilude e não frustra.

Que tenhamos essa mesma confiança em Cristo, que não cansa de nos amar! Nos unamos aos sofrimentos de Jesus nessa vida, para que assim, participemos junto a Ele na Vida Eterna.

O Bom Deus não poderia me inspirar desejos irrealizáveis, portanto, posso, apesar da minha pequenez, aspirar à santidade.” (Santa Teresinha)

Reze com essa música:

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1 Comment

  1. Luciana

    Ler um texto bom assim em tempos que estamos vivendo, nos dá esperança e nos faz sentirmos mais confiável a tanto medo!

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