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Com quantas feridas você chegou?

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Posso lembrar com quantas feridas eu cheguei aqui, uma adolescente com 17 anos. A rebeldia, euforia, imaturidade, só escondia a menina machucada que estava lá dentro.
A menina que suplicava por amor e não sabia expressar esse mais profundo desejo de seu coração.
Eu cheguei na comunidade com 17 anos, 6 anos atrás, por fora parecia apenas mais uma menina bonita, normal. Mas, por dentro eram só os trapos.
Eu nem sabia as dimensões de minhas feridas, hoje sei algumas por conta que vejo as cicatrizes, que são para mim muitos sinais de cura.

Com quantas feridas você chegou aqui? 

Chegamos dentro da Igreja muitas vezes cheio de dores, e Jesus nos recebe assim. Assim como Ele recebeu o leproso que fala no evangelho de hoje. (Mt 8,1-4)

A lepra da afetividade

A maior parte dessas feridas são na nossa afetividade, afinal o amor é o que temos de mais íntimo em nós, e as feridas causadas decorrentes dessa área são as mais profundas e comuns.
Queremos O Amor, isso é, Deus. Pois é Dele que viemos, mas muitas vezes buscamos esse amor em outros lugares, originando assim as feridas.
Feridas de relacionamentos passados (ex namorados e amigos), feridas com a figura do pai, figura da mãe, vida desregrada, desvalorização de si mesmo, carência, pornografia, masturbação… e tantas outras feridas que podem surgir na nossa afetividade.
Tomo a liberdade de dizer até que essa é a maior lepra da atualidade, o que mais machuca, se alastra, nos distancia do próximo e do verdadeiro amor.

O contágio da afetividade doente

A lepra desde os tenros tempos era considerada uma doença muito contagiosa, e ainda hoje é, não só a doença em si da lepra que já está mais controlada, mas as doenças decorrentes das feridas da afetividade.

Uma pessoa ferida afetivamente, vai se relacionar com outra, porém por conta dessa ferida a chance de machucar outra pessoa é muito grande, é como se estivesse de fato com uma doença contagiosa, que desencadeará um contágio. É isso que vivemos por exemplo com pessoas que estão com sua afetividade machucada por conta da relação com o pai, se essa pessoa não se curar, provavelmente em todos seus relacionamentos essa ferida vai influenciar suas relações afetivas, ocasionando assim a prisão de uma afetividade, que gera sofrimento, idolatria, solidão, pecados.

A cura que nos purifica

A purificação gera libertação, é isso que Jesus propõe no evangelho de hoje.
Aquele leproso se vê doente e pede que Jesus o PURIFIQUE!
Foi esse o primeiro passo que eu dei, me vi doente, vi que tinha muita coisa doendo dentro de mim, muita carência, muitos vazios… então, pedi para Jesus purificar.

E Ele responde:

 Jesus estendeu a mão, tocou nele e disse: “Eu quero, fica purificado”. No mesmo instante, o homem ficou curado da lepra. “

Mt 8,3

Considerando que a lepra é muitas vezes a ferida de nossa afetividade, quando Jesus toca nela, somos purificados e consequentemente curados.

E como é isso? 

Sabe aqueles momentos de oração e da sua vida que do nada você lembra de uma coisa que te machucou muito? Aquele momento que aquela ferida se torna presente de novo?
Esses são os momentos que Jesus está tocando na lepra, na doença, na ferida.

Ainda que tenhamos medo de tocar naquilo, Jesus não tem! Pois, Ele é o todo puro, e as impurezas daquelas feridas não são capazes de o infectar. Pelo contrário, é o seu toque puríssimo que irá purificar a impureza ali contida.

Jesus toca para nos libertar daquilo!

Queremos o Amor

O leproso do evangelho de hoje queria ser purificado, ele queria que essas dores parassem de doer. No fundo, nós queremos uma única coisa com tudo isso, queremos O Amor.

Queremos que pare de doer, que toda carência seja saciada, que a idolatria seja vencida, que nos tire da solidão, e tudo isso só pode ser feito pelo Amor que é o próprio Deus.

Toda vez que encontramos nossos afetos machucados, fedendo como uma lepra, contagiando os outros como uma doença mortal, nos distanciamos do Amor, que é Deus. E do exercício livre desse amor que se dá nos nossos relacionamentos, amando e sendo amados tal como Deus sonhou.

O processo de purificação

Por fim, essa purificação acontece em um processo. Veja, Jesus toca o leproso. O processo de toque de Jesus em nós é o processo da cura e esse processo tem um nome: CASTIDADE.

Costumo dizer que a castidade é o lugar que me guarda para que Deus pudesse curar todas as feridas que eu tinha e tenho.  Ele me protegeu nesse lugar, me cuidou, limpou as feridas que já estavam infeccionadas, deu remédio.

É por conta da castidade que hoje eu posso ver mais cicatrizes do que feridas abertas.

A castidade é o meio que Jesus me toca e me purifica, fazendo de mim uma mulher livre. Assim como aquele leproso se tornou livre depois do toque de Jesus.

 

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