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O Homem e o lobo

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Um conto, assim como as parábolas que Jesus contava, nos trazem um ensinamento de vida. Dessa forma, te convido a refletir sobre esse conto abaixo.

O homem e o lobo

Não sou o primeiro a relatar nossa realidade. Mas a nossa realidade me intriga. Tudo estava normal até conhecer o Sr. Caleb. Ouvi histórias sobre ele. Diziam que era um homem livre. Muitos iam se aconselhar com ele. Mas eu pouco acreditava nisso. Mesmo assim, sua história me atraiu a curiosidade. Já que muitos afirmavam serem livres, porém logo se descobria a verdade. Caleb, no entanto, anos e anos se passavam e permanecia realmente livre.

Como é possível?

Pensei comigo.

Ah! Eu não me encontrava livre. Pensava se realmente era bom ser como ele era.

Decidi observá-lo sem que ele soubesse, escondido. Seguia-o. Espionava-o. E muito mais me intrigava.

– Não é possível?!

Saiu quase sem querer da minha boca.

O que não é possível?

Caleb respondeu com serenidade, de quem sabia que eu estava lá. Acho que sempre soube. Então, não tinha mais por que me esconder. Resolvi então me revelar.

– Você não tem um lobo! Como é possível alguém não ter um lobo? Todos têm um lobo. As crianças nascem com um lobo, crescem e morrem com um lobo. Como é possível não ter um?

Disse apressadamente, com toda minha indignação. Acompanhado de meu lobo é claro.

– O que te espanta mais, eu não ter um lobo ou achar normal manter um lobo até o final da vida?

Caleb me indagou.

Eu não tinha uma resposta. Não sabia nem o que pensar. Em toda minha pequena vida, sempre vi e convivi com lobos. Eles não me eram estranhos, apesar de me assustar às vezes. Já vi todos os tipos de lobos: magros, gordos, grandes, pequenos, calmos, raivosos, agitados, preguiçosos, quietos, imponentes, alguns só ouvi dizer…

Cada pessoa tem o seu. Algumas pessoas até o escondiam ou deixavam em casa quando saiam. Mas eram sempre revelados quando algo inesperado acontecia, especialmente em casa. Alguns o acorrentam e desfilavam com ele. Outros acariciavam. No entanto, outros lutavam contra ele. E quando isso acontecia, o lobo ferozmente o atacava. Alguns sempre o carregavam nas brigas. E nesses embates os lobos sempre feriam ou devoravam alguém.

Eu via tudo isso, mas não compreendia. Parecia não ser mal. Parecia fofo quando eu o acariciava. E ele só me atacava quando não o queria por perto ou não fazia suas vontades.

Resolvi retornar à casa de Caleb para questioná-lo.

O que há de mal com os lobos? Por que não tens um?

Direto e sem modos, com meu lobo a frente.

– Por que minha vida te incomoda tanto?

Sua docilidade era espantosa. Constrangia a mim e a meu lobo. Mas ele estava certo. Por que eu estava tão incomodado? Saí de lá com mais perguntas do que cheguei. Resolvi buscar respostas. Comecei a estudar sobre os lobos para entender se eram bons ou maus. Mas eu mal sabia como se desenvolviam. Me dediquei a descobrir.

Inicie com a seguinte tese: lobos são parte da vida. Foi então que comecei a ver pessoas que tinham um lobo grande forte. Não conseguiam controlá-lo, agiam como crianças mimadas, tudo queriam, tudo faziam. Eram fascinados por seus lobos. Com isso, concluí que não era bom deixar o lobo tão grande. O erro estava na dose.

Me coloquei observar outros lobos, mas não consegui encontrar virtude neles. As pessoas seguiam seus lobos e não o contrário. Nunca tinha percebido. Quanto mais forte o lobo, mais obrigava seus donos a fazerem suas vontades. E quanto mais cediam às suas vontades, mais fortes ficavam.

Na busca da sabedoria, então li:

“porque a fascinação do vício atira um véu sobre a beleza moral e o movimento das paixões mina uma alma ingênua.” Sabedoria 4,12

Corri para Caleb para contar a descoberta. Eu exclamava:

 És realmente um homem livre! Como posso ser também?!

Ele me viu e ouviu de longe. Então ao me aproximar, me respondeu:

– Por que alimenta aquilo que deseja matar?

Esse pequeno conto, nos leva a refletir sobre nossos impulsos instintivos na qual somos muitas vezes prisioneiros deles.

A verdadeira liberdade está justamente em não agir segundo os próprios impulsos.

Estamos em uma sociedade tão acostumada a agir segundo seus instintos, que achamos até impossível sermos diferentes, livres, mas não é.

Porém, quem está disposto a deixar de “alimentar” seus próprios gostos e apegos em busca da verdadeira liberdade?

Lilian Guerra – Vocacionada CACL 

Leia mais:

Eu prefiro que ele morra!

https://blog.cristolibertador.com/

 

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