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No garimpo, atenção e a tensão

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Fotos: Sebastião Salgado

Em uma de nossas últimas formações carismáticas, nosso fundador, Guilherme Maggio, utilizou a analogia de um garimpeiro em seu ofício para exemplificar o quão devem ser latentes a atenção e a tensão no processo de busca pelo ouro, assim como em nossa purificação. Essa relação garimpo X purificação me chamou atenção… e o Senhor falou.

O processo

Fui pesquisar e descobri que a peneira de um garimpeiro não é uma só, (como eu pensei que fosse, diga-se de passagem), mas sim quatro peneiras, cada uma com uma malha mais fina do que a anterior. Elas são usadas ao mesmo tempo, em conjunto.

No processo, mexe-se o cascalho com água na primeira peneira de malha mais grossa, afim de trazer o que é precioso para o centro, onde logo o ouro brilha se destacando das demais pedras. Assim é feito posteriormente com as três outras peneiras. Cada uma vai retendo em si pedrinhas cada vez menores de ouro, de modo que nada passa… tudo o que é precioso fica!

Com a vida espiritual não é tão diferente assim. O Espírito Santo remove o cascalho quando busco ir para o centro da peneira da vontade do Senhor. Ali brilho, ou melhor, ali Cristo brilha em mim e é possível encontrar todo o meu precioso!
Uma peneira não basta. É preciso passar cada vez numa peneira mais fina para me purificar dos pecados mais difíceis e escondidos.
Coincidentemente (ou não), no discipulado da Cristo Libertador, possuímos também nossas quatro peneiras, quatro anos formativos, a saber: fortaleza, justiça, temperança e prudência.

A chance de ouro!

Para um garimpeiro, achar o ouro é a oportunidade de sua vida, a “chance de ouro”. No garimpo, toda pedra é uma possibilidade! Encontrando uma pepita, ele pode sustentar sua casa, dar conforto à sua família, pode mudar sua vida e, até mesmo, enriquecer!

Quando sabe de um garimpo com boas chances de sucesso, o garimpeiro emprega todas as suas forças em ir até lá para tentar a sorte.
Fato real aconteceu aqui no Brasil na década de 80, na Serra Pelada, Pará. Na época, diz a história popular, um garimpeiro encontrou ouro próximo a pés de bananeira em um riacho. A notícia logo se espalhou e atraiu milhares de pessoas. No auge da atividade mineradora na região, o local chegou a ter 80 mil residentes! Eram chamados de “formigas humanas”.

A chance da minha vida, da minha vida eterna

De forma semelhante, para mim, a purificação, o garimpo para encontrar o que é precioso em mim, a imagem do Cristo muitas vezes oculta em meio ao cascalho do meu pecado, é a chance da minha vida… da minha vida eterna!
E é por isso que, assim como um garimpeiro, preciso estar com toda a minha atenção, meus sentidos, meus músculos, tudo voltado à essa atividade, à essa busca por afastar todo o cascalho que esconde a pepita preciosa que brilha aqui dentro.
Muitas vezes, o ouro é encontrado não tão visivelmente e “solto” em meio às demais pedras. Há casos em que o minério precioso se encontra dentro, incrustado em outra pedra que é aparentemente comum, igual às demais, por vezes feia mas que, quando quebrada, revela dentro de si uma brilhante preciosidade.

É preciso se deixar lapidar!

Quando encontrado, o ouro nem sempre é bonito e brilhante. Ele vem bruto, coberto de outros minérios que escondem sua essência.
É preciso o trabalho de um profissional que saiba lapidar aquela pedra, retirar seus excessos, dar forma, para que então ela se torne verdadeiramente a pedra de uma joia. Um ouro que brilha com o Sol, assim como brilho quando me deixo lapidar, formar, moldar, iluminado pela luz do Sol da Justiça. É preciso ser dócil ao processo e ao Lapidador.

Garimpar, uma missão

Nas Fundações Casa, principal campo de missão de nossa Comunidade hoje, é preciso também atenção e tensão.
Ali, garimpamos também. Águas turbulentas naquelas vidas dificultaram e dificultam o garimpo, jogam o cascalho por toda parte confundindo a procura. Cada pedra ali certamente contém ouro. Cada pedra possui uma essência. E por isso é preciso tanto cuidado e dedicação. É preciso sentidos atentos, coração atento, olhar atento, olhos espirituais.

Há quem diga: “Cuidado, isso é o ouro dos tolos! Não vale a pena, esqueça esse garimpo.”
Ali são necessárias muitas peneiras mas, o ouro verdadeiro é certo. O Cristo brilha e reluz em vida naquelas pedrinhas.

No garimpo, toda pedra é uma possibilidade de ouro.
Em minha vida, toda purificação é uma possibilidade de salvação.
Na missão, todo missionário é uma possibilidade de Céu.
Na fundação, todo jovem é uma certeza da face de Cristo.

Atenção e tensão.
Deus abençoe você.

O padrão de santidade, vamos impor esta regra ao mundo!

Os santos não são frouxos!

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Fernando Hamrourch
Discípulo CACL

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