Elias, Formação, Palavra de Fundador

Elias no Carisma Cristo Libertador

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Santo Elias, o profeta, nosso baluarte, é quem nos ensina a viver o caráter profético de nosso Carisma. Chave para entender a nossa espiritualidade, a cela, e fonte inspiradora de nossa principal missão, a missão Alabastro.

A chegada inesperada!

O profeta Elias, nosso grande amigo e baluarte, entrou em nossa caminhada como um fogo abrasador vindo do alto de maneira certeira, assim como no Monte Carmelo. Sem rodeios ele chegou chegando como nosso primeiro baluarte em maio de 2014. Lembro como se fosse hoje! O nosso orientador espiritual Dom Bruno (monge beneditino) foi enfático:

“Sejam amigos de Elias, ele não será um simples baluarte ou santo de devoção, ele deve ser amigo íntimo de vocês, ouçam-no!”.

Foi assim, como no texto bíblico, chegou sem dar nem oi, já foi direto para o papo reto!

“Elias, o tesbita, um dos habitantes de Galaad, disse a Acab: ‘Pela vida de Iahweh, o Deus de Israel, a quem sirvo, não haverá nestes anos nem orvalho nem chuva, a não ser quando eu ordenar’” (1Rs 17,1).

Sem apresentações, seco, firme e contundente. Ele veio até nós e já sabíamos que o barato ia ficar louco. Quando olhamos este homem, para o nosso relacionamento, temos a sensação de que ele sempre esteve aqui. Sabe aquela amizade que parece que sempre existiu? Pois é!

Espiritualidade de nossa comunidade

Lendo o livro do autor Anselmo Grun, “O céu começa em você”, mais precisamente o capítulo 2, nos deparamos com “a Cela”, elemento fundamental na espiritualidade monástica.

Não demorou até que percebêssemos que nosso baluarte inspira a maioria das ordens monásticas, sobretudo as carmelitas e as beneditinas. Linkando uma coisa na outra, e lendo o livro de Reis, encontramos o inicio de nosso direcionamento espiritual:

O encontro com Deus – Lá ele entrou na gruta, onde passou a noite. E foi-lhe dirigida a palavra de Ihaweh nestes termos: ‘Que fazes aqui, Elias?’” (1Rs 19,9).

A passagem segue nos contando o diálogo entre Deus e Elias. Alguns elementos nos marcaram profundamente, como por exemplo, o fato de que para o encontro acontecer, fora necessário recolhimento, estar em silêncio e solidão. Para nós, ‘a cela’ é uma releitura desta ‘gruta’ onde o próprio Deus nos pergunta: “o que fazes aqui, meu filho?”.

Oração, silêncio e solidão para percebermos a voz do Senhor que nos toca como uma brisa leve. Entendemos que somos barulhentos, ansiosos e orgulhosos como Elias, fogo, vendaval e tremor, porém, Deus é misericórdia, justiça e amor e fala no escondimento.

A Cela, inspirada pelo profeta, se tornou o centro de nossa espiritualidade. Nela aprendemos a ter zelo pelo Senhor e por aquilo que Ele nos pede. Aprendemos a sermos constantes na fé e principalmente a humildade, pois é Deus quem converte os corações, nunca nós. Desta experiência surgiu nossa primeira oração comunitária inspirada em 1Rs 18,36-37:

“Ó Senhor, Deus de Abraão, de Isaac e de Israel, meu Deus, saibam todos hoje, que sois o Deus de Israel e desta comunidade, que sou Teu servo, e que por Vossa ordem fiz e continuarei fazendo todas estas coisas. Responde-me Senhor, para que todo o povo reconheça que só Vós sois Deus e que sois Vós que converteis todos os corações”.

Um carisma de caráter profético

Falando propriamente do carisma Cristo Libertador, reconhecemos de maneira clara a presença de elementos de nosso carisma na vida de Elias, ou melhor, ele nos ajuda a compreender e reconhecer com clareza o que é ser Cristo Libertador.

Ao olharmos para a página do evangelho que rege nosso apostolado (Lc 4,18-19) nos deparamos com o verbo “proclamar” que sem sombra de dúvidas é o principal verbo de um profeta:

“… enviou-me para proclamar a libertação aos presos…” (Lc 4,18d).

Mais para frente desta mesma passagem, novamente o profeta e seus prodígios são mencionados, juntamente com Eliseu. Neste trecho Jesus está lendo o rolo do profeta Isaías em uma sinagoga, e assim seguiram-se os sinais de Deus.

Não havia como negar que o Senhor desejava um profetismo ativo em nossa vida, ainda mais dentro de nosso principal apostolado, a missão Alabastro, que tem como foco o resgate da essência dos encarcerados.

Diga-se de passagem, que esta missão foi-nos confiada profeticamente pelo nosso bispo, Dom Devair Araújo da Fonseca, em nossa missa de instituição.

Já em meados de 2017, em oração o Senhor nos comunicou com mais detalhes os elementos de nossa espiritualidade (a Cela). A primeira multiplicação dos pães feita por Jesus às margens do mar da Galileia (Jo 6,1-15), novamente nos traz explicitamente a urgência profética.

Após o Cristo pregar, e alimentar uma multidão com cinco pães e dois peixes, o povo o reconhece dizendo: “Esse é, verdadeiramente, o profeta que deve vir ao mundo!” (v.14).

Ser Cristo Libertador é se alimentar destes encontros pessoais com o próprio Deus e então, através deste carisma, abastecer uma sociedade faminta e injusta, anunciando o evangelho e denunciando o pecado, proclamando a libertação e restituindo a liberdade.

Sermos profetas para nós mesmos

Teríamos uma infinidade de partilhas para fazer sobre o que Elias nos mostra, nos revela, nos ensina sobre nosso mistério cristológico, afinal, ele contém em si parte abundante de nosso carisma. Porém, quero encerrar falando de sermos profetas para nós mesmos.

Elias não foi perfeito, foi homem semelhante a nós (1Tg 5,16-18), porém, nos ensinou que a oração do justo tem poder de parar o tempo e de mover céus e terras. Elias nos ensina a orar, a sermos amigos de Deus, mas o mais contundente é: nos ensina a vivermos em constante vigilância e denúncia para com a nossa própria santidade.

Elias nos mostra o quanto somos idólatras, soberbos, desobedientes e burros, e nos aponta o caminho com seu próprio nome: “Só o Senhor é Deus!”.

A Ladainha da Humildade que recitamos toda quarta-feira em nossa adoração comunitária nos impele a imitarmos este profeta, que não era o último e nem o único de Israel, mas sim fora um dos mais zelosos e fiéis que já existiu na história do povo de Deus.

Não podemos denunciar o pecado alheio antes de denunciarmos o nosso próprio. Não podemos cobrar a conversão alheia sem antes arrancarmos de nossas entranhas os mais sinceros arrependimentos. Não podemos queimar os ídolos deste mundo sem antes queimar os ídolos de nosso coração.

Só o Senhor é Deus, só o Senhor é Deus, só o Cristo é a Verdade e a Libertação, só o Espírito comove e sustenta, é Ele quem converte os nossos, os seus, todos os corações. Elias nos ensina a gravar esta verdade como fogo em nossos corações.

E se um dia a hipocrisia, a tibieza ou a apostasia nos tomar, se um dia ignorarmos o Espírito de Deus, Seu amor e Sua misericórdia, se não quisermos mais nos prostrar frente ao Senhor dos exércitos, que tenhamos o mesmo fim que os 450 profetas de Baal, Anátema!

 

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