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Educação para a Santidade

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Um dos temas mais complexos e polêmicos que podemos tratar é a Educação. E aqui não digo sobre aquilo que se tem dentro das escolas, mas especificamente sobre o dever dos pais perante os filhos, no que diz respeito à sua formação, instrução e desenvolvimento.

Para nós cristãos é importantíssimo termos claro o objetivo final da educação que fornecemos aos nossos filhos e se nossas práticas condizem com esse objetivo. Se não fizermos isso, outros objetivos, que são vendidos por ai, poderão nos acometer sem que notemos.

Grandes pensadores, doutores e santos da igreja que se pronunciaram sobre esse tema defendiam que a santidade deveria ser o alvo a ser buscado pelos pais para a vida dos filhos. Para isso, a educação deve ter o olho bem fixo na formação do homem de acordo com os planos de Deus, ou seja, devemos ter bem claro para quê somos criados e então direcionar a educação de nossos filhos dentro dessa perspectiva.

O homem é criado para louvar, reverenciar e servir a Deus Nosso Senhor, e assim salvar a sua alma.”

Princípio e fundamento – (S. Inácio de Loyola)

SANTIDADE É O ALVO

Assim como em nossa vida de fé individual, se não nos atentamos certamente erramos o alvo e nos confundimos. Misturamos nossos afetos, nossos pecados, nossos traumas, enfim, quando menos percebemos nossas ações não refletem alguém que busca ser santo e menos ainda alguém que está lutando pela formação de filhos santos.

Podemos tomar alguns exemplos de objetivos secundários que acabam tomando lugar de protagonismo sem que ao menos percebamos. Eles são muitas vezes sutis e podem vir debaixo de um manto aparentemente “bonito” e “bom”, mas acabam por não comportar toda a complexidade e profundidade que a palavra SANTIDADE carrega.

Alguns objetivos secundários que podem nos confundir:

  • Bom comportamento e disciplina: muitas vezes porque apenas queremos que parem de chorar, que não se expressem, que não nos envergonhem, que não nos atrapalhem. O bom comportamento está inserido na formação para santidade, mas sozinho não finda todas as variáveis.
  • Que meu filho se torne uma boa pessoa: boa pessoa num sentido pequeno diante da proposta do evangelho. No fundo quero que meu filho não se torne um drogado, que não roube e não mate, que não cometa atrocidades. Ou até que faça algumas obras bonitas mas não olho mais ao alto. Visão tímida.
  • Cidadania: quero que meu filho diante da sociedade cumpra as leis dos homens, desenvolva seu papel como cidadão. Visão também tímida.
  • Independência: Se temos em nós que o objetivo da educação é a independência, ou seja, que nossos filhos parem de depender tanto de nós, acabamos também por minimizar a educação basicamente em garantir alimentação, higiene, vestuário, etc.
  • Intelectualismo, humanística: Aqui nos gastamos para que nossos filhos se desenvolvam plenamente a luz das questões humanas, o que é muito bom, afinal devemos ser homens para sermos santos. Queremos o desenvolvimento das capacidades físicas, intelectuais e afetivas. Aqui o engano pode ser justamente por encerrar a questão apenas diante da ordem natural, esquecendo-se do sobrenatural, da transcendência.

O FOCO É EDUCAR PARA O CÉU

Podemos nos avaliar se estamos perseguindo o objetivo certo se olharmos para o todo de nossas ações educativas, percebendo quanto tempo e esforço gastamos com determinado assunto, quais são as reais intenções de nosso coração, o que mais nos incomoda, o que mais nos comove, nos move, etc.

Já percebemos que a formação para santidade é mais profunda e complexa do que parece. Abaixo algumas palavras que deverão estar incluídas nesse caminho:

  • cultura do evangelho
  • valores cristãos
  • vocação
  • virtudes (teologais, cardeais e outras importantes como a da religião por exemplo)
  • sacramentos
  • combate a vícios/pecados

Além disso, devemos também considerar e educar todas a dimensões do ser humano, para que não haja nenhum tipo de reducionismo. Não devemos olhar apenas para os cuidados com o corpo (desenvolvimento físico) e para o intelecto e a psique, mas deve estar inserida nas ações educativas a dimensão espiritual, sendo que o conjunto CORPO+ALMA+ESPÍRITO devem estar respondendo justamente para o que foi criado.

Educar para santidade e buscar ser santo. Educar e deixar-se ser educado pelo Espírito. Mirar no alto e não se distrair com os ruídos internos e externos. Tudo isso para que o nome de Deus seja exaltado!

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