Deus não tira nada, Ele dá tudo (Bento XVI)
Mês das Vocações

Deixar tudo pelo Tudo

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A gente ouve aquelas histórias de pessoas que esperaram chegar no fundo do poço para se converter e ousamos pensar: “eu não preciso disso tudo, posso estar em Deus sem ser radical”. Temos mesmo que deixar tudo?

LEIA OUVINDO “CORAÇÃO ADORADOR” – Pe. Fábio de Melo

Eu quero te contar um segredo: você tem razão! Muitos são aqueles que irão para o céu tendo uma vida social considerada normal. Eu também achava que estava incluso nessa maioria. Eu só achava.

Os planos de Deus para mim já estavam sendo construídos sem que eu nem percebesse e, quando me dei conta, lá estava eu, completamente entregue ao Senhor.

Minha história

Deixa te contar um fragmento da minha história. Meus pais não me batizaram porque não eram católicos praticantes. Então, aos 12 anos eu fui atraído pela Santa Igreja e tomei minha decisão, comecei meu caminhar sozinho. Mas não era firme na fé, vivi por muitos anos em dois mundos – sendo de Deus e do pecado, ao mesmo tempo.

Por incrível que pareça, Deus tolerou todos meus caprichos, assim como a passagem Mateus 13, 24-30. Ele deixou crescer o joio e o trigo para que, no momento certo, fizesse a colheita e assim pudesse separar o bom do ruim sem perdas.

Às vezes, a pessoa acha que só terá vida boa caso se entregue totalmente a Deus. Porém, isso não é totalmente verdadeiro, vai depender do seu conceito de bom ou ruim. Eu tinha vida boa mesmo sendo só metade de Deus: tinha casa própria, carro, moto, amigos da igreja e da cerveja, viagens, amores – ah, muitos amores.

Eu era feliz?

Você deve estar se perguntando: “então você era feliz?”; a resposta é: não! Eu era bastante alegre, divertido, entretanto, algo ainda faltava. Eu viajava, mas sentia falta de Deus. Eu ficava com pessoas, mas sentia um vazio. É, talvez a minha vida interior não era tão boa assim…

Tudo parecia ótimo. Todavia, Deus queria mais de mim. Ele me direcionou a uma busca de autoconhecimento, assim foi me ajudando a retirar os lixos que os outros haviam colocado em mim. Ele tinha uma metodologia exclusiva comigo. Quando percebi, uma linda vocação foi revelada e eu senti medo (cf. Marcos 4, 38-40).

Deixar tudo

Tudo o que eu sabia sobre vocações era que pessoas deixavam tudo para seguir a Deus. Na minha cabeça, essas pessoas perdiam até suas identidades próprias e se formatavam às suas comunidades, elas deixavam de ser elas e viravam outras pessoas, perdiam os contatos dos amigos, não tinham bens próprios, não viajavam. Na minha cabeça, não tinham nem roupas para chamar de suas.

Como eu, cheio de conquistas conseguiria aquilo?! Eu era cheio de mim. Eu era…

Deus e suas infinitas artimanhas de conquistas, rompeu com todas as muralhas, me envolveu em uma “cama de gato”. E me amou. Amou tanto que eu me rendi. Me entreguei. Me permiti.

Ressignificou, reordenou…

E sabe o que Ele fez? Não me tirou nada de importante. Nada mesmo. Só ressignificou tudo! Ordenou meus desejos, me moldou de acordo com Seu olhar de amor. Aliás, Ele continua a fazer isso todos os dias; é uma tarefa diária e eterna.

Meu irmão, se você leu até aqui, te darei o melhor conselho que posso. Sabe aquele incômodo que queima em seu peito? Deixa-o eclodir. Entregue-se à vontade de Deus e entregue tudo que tem a Ele, mesmo que sejam apenas 5 pães e 2 peixes.

Dê um passo de cada vez, o Senhor revelará Sua vontade aos poucos. Se lance e Ele não te tirará nada do que for de sua essência.

A paz do Cristo que Liberta.

Walter Moura
Discípulo da CACL

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