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A transcendência na educação

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Como gerar uma consciência a respeito da transcendência em nossos filhos? Como fazer com que eles desde cedo percebam que esse mundo não se finda diante da visão cientificista ou materialista?
Primeiro, a educação para santidade exige que estejamos atentos as três dimensões do ser humano (CORPO+ALMA+ESPÍRITO) para que não haja nenhum tipo de reducionismo, ou desconexão com o projeto de Deus e sua criação. Poderá existir em nós uma inclinação de olharmos apenas para a dimensão corpórea e intelectual, fazendo com que estejamos dando os mesmos esforços que daríamos no caso da “educação” de uma animal.

Podemos também tentar inserir a dimensão espiritual de uma forma equivocada, quando entendemos que o simples fato de falar de Deus para elas será o suficiente para que tudo se resolva. Fazendo isso, pode-se gerar nelas a sensação de que estamos sempre falando de “algo” que está fora delas e longe de sua realidade. Algo intocável, invisível, desconhecido.
É importante então, dentro das realidades naturais, na natureza, no dia-a-dia mostrar a presença de Deus nas simples coisas, como por exemplo nas leis que Deus criou no universo: a gravidade, o sol que nasce e se põe todos os dias, etc…

Explicações mais profundas são mais tangíveis a crianças acima de 7 anos, mas para as menores se relacionar com o Deus presente nessas coisas é imprescindível. A criança precisa olhar sua realidade, a natureza, o ar livre, se relacionar com pessoas. Assim, quando tiver capacidade, conseguirá perceber que tudo isso expressa a presença de Deus. A criança se abre ao mistério de Deus que está escondido e ao mesmo tempo se mostra.
As práticas religiosas (missa, orações etc) não podem ser eventos pontuais desconexos da realidade da criança. Ou seja, ela é obrigada a se comportar e entender o sentido da missa, mas não consegue ver os elementos e valores da missa em sua vida real. Vive uma rotina, um significado de vida igual a qualquer pagão, mas com alguns momentos pontuais de religiosidade. Viver dessa forma dificilmente gerará um amor genuíno pelas coisas de Deus.

PARÁBOLA DO JOIO E DO TRIGO – Mt 13, 24-30

V 24 Deus plantou a boa semente no campo dos nossos filhos. Mas existe neles a tendência ao pecado (pecado original) que também está plantado.
V 26 Da mesma forma que o trigo cresce, as más inclinações crescem em conjunto.
V 27 servos do proprietário → nós (pais): Nos indignamos com Deus perguntando “Como está cheio de joio?”
V28 E nossa vontade é arrancar tudo o mais rápido possível, de qualquer forma, ou melhor, a nossa forma, medida por nossas emoções (Queres que vamos arrancá-lo?).
V 29 Deus nos responde: Não. Para não arrancarem também o trigo (suas virtudes, seus dons, seus talentos, suas boas inclinações).
V 30 “Deixai crescer até o tempo da colheita” Ou seja, até podermos discernir bem o que é trigo e o que é joio. Quando soubermos, no tempo certo, arranquemos o joio para ser queimado. E o trigo será entregue no celeiro de Deus.

A DIFERENÇA DO JOIO E DO TRIGO

Para sabermos quando é esse tempo certo, vejamos como numa plantação real de trigo, pode-se verificar o que é joio e o que é trigo:
Para quem não tem experiência nenhuma, os dois podem parecer a mesma coisa. Sendo que só conseguiria fazer uma dissociação quando chegasse na fase da frutificação, e não antes disso. Depois do amadurecimento da planta, ocorrem mudanças em ambos trigo e no joio que deixam bastante evidente as diferenças.
No caso do trigo, temos uma mudança na sua coloração. Ele toma uma cor mais amarelada até chegar em sua palha. Já o joio continua na cor verde, mas com algumas partes mais claras, não mudando muito.

A diferença da direção que cresce é que no trigo, há a formação de um pendão, ele cresce para cima; já o joio perde a forma inicial, se esparramando pelo chão. A raiz do trigo cresce para baixo, em pouca profundidade, deixando fácil sua colheita; a raiz do joio se alastra por onde pode, misturando-se até com raízes de outras plantas. Os frutos a diferença fica ainda mais clara. O trigo ocorre de dentro para fora com belos cachos de sementes, formando um pendão. Já o joio, saem bolotas enrugadas, não tão bonitas de se verem.

Fonte: https://www.mundoecologia.com.br/plantas/plantacao-e-cultivo-de-trigo-em-grao-e-joio/

Essa é uma das maiores dificuldades que vamos encontrar na educação para santidade, ou seja, saber quando devemos podar o mal que cresce em nossos filhos e quando não. Fica claro nessa reflexão que devemos discernir muito bem e com certeza ir olhando os frutos que nossos filhos estão dando. Não temer arrancar o joio, mas não se precipitar arrancar o que de melhor Deus plantou neles. Isso só será possível com uma vida de oração profunda, mas também com um olhar bem atento a humanidade dos pequenos, além de um incrível domínio de nossas paixões e descontroles emocionais.
Por isso, de forma nenhuma devemos improvisar a educação de nossos filhos, nem deixar que as coisas aconteçam no piloto automático.

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