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A idolatria na educação dos filhos

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Sabemos que o combate a idolatria em nosso carisma deve ser real e verdadeiro, pois esse pecado continuamente irá nos perseguir. No assunto educação não deve ser diferente. Podemos perceber duas grandes idolatrias que podem estar entranhadas em nosso ser, sem que percebamos. Cada uma delas está localizada em um extremo e podemos ficar como um pêndulo que balança de um lado para o outro sem nunca parar no centro (CRISTO), já que isso nos custaria muito.

Duas idolatrias

  • De si mesmo

A primeira idolatria que pode nos acometer é a idolatria de nós mesmos. Nela, ao nos depararmos com as exigências da vocação matrimonial, sobretudo após a chegada dos filhos, acabamos por ir buscando soluções, jeitinhos e maneiras de encurtar nem que seja um pouquinho nossa pesada cruz do dia-a-dia. Assim, podemos não demonstrar muita preocupação se de alguma forma nossos filhos são prejudicados, se sua formação está capenga, pois no fundo há em nós um sentimento de querer nos preservar, nos poupar, nos economizar. Fica claro que quando idolatramos a nós mesmos nosso olhar não olha mais o alto, não olha mais a Jesus sangrando na cruz, mas sim olhamos para como estamos cansados, como já nos desgastamos o suficiente.

Se eu quero menos trabalho, se quero me poupar, vou acabar por querer acelerar todos os processos de desenvolvimento do meu filho, tendo em vista que ele não precise de mim o mais rápido possível. Não se busca um desenvolvimento saudável e que visa uma maturidade sólida humana e espiritual. Podemos chamar isso de um “sempre JÁ”. É como na construção de uma casa, que queremos acabar logo e ver a casa pronta para não termos mais trabalho. E para isso eu faço da forma que der, apressadamente, sem me preocupar se as estruturas estão bem colocadas para suportar todo peso da casa. Pode então haver uma falta de segurança afetiva nos filhos, fazendo com que a casa sofra problemas estruturais no futuro, o que geraria brechas para o demônio agir.

Podemos destacar alguns exemplos práticos que ficam bastante claros em papais que vivem no mundo corporativo, no chamado “workaholic”, mas que pode ser facilmente estendido para nossas vidas como cristãos. Fiquemos atentos!

  • Escolarização precoce ou tempo excessivo na escola e em outros cursos;
  • Excesso de terceirização (para os avós, familiares, ou outras pessoas, seja para um período de tempo ou para algumas atividades);
  • Exposição a desenhos, dando ao desenho a função de cuidador;
  • Vivência precoce de fases de desenvolvimento;
  • Preferência contínua pela vida de missão que não envolva os filhos, numa falsa entrega espiritual.

 

 

Idolatrando o filho

Na outra ponta extrema da idolatria encontramos uma atual tendência entre pais que aparentemente superaram a barreira do olhar para si mesmos e visam atender as “necessidades” de seus filhos. A idolatria nesse caso é direcionada aos filhos, ou seja o Baal nesse caso são as crianças idolatradas por seus pais. Apesar desse aparente direcionamento aos filhos, os pais no fundo ainda visam a si mesmos como alvo a serem beneficiados. Transmitem seus traumas, feridas, carências nos filhos de modo que esses aliviem de alguma forma essa dor. Um exemplo claro seria uma mãe que não tenha sua afetividade bem resolvida, por conta de abandonos ou qualquer outro trauma, e acaba “descarregando” toda a energia de sua dor excedendo em cuidados, atenção e superproteção.

Pode-se notar nessa idolatria uma hiper valorização dos aspectos humanos e da vida natural, como se o ser do filho fosse reduzido a ordem natural. Há também uma latente superproteção, evitando ao máximo que o filho avance em sua maturidade humana e espiritual. Seria como se o filho nunca tivesse pronto para o próximo passo, já que para isso seria naturalmente necessário ver seu deus (o filho) sofrendo um tanto, sofrimento esse essencial para seu crescimento. Enquanto na primeira idolatria os pais imprimem o “sempre JÁ”, nesse segundo caso podemos dizer que o que ocorre é o “sempre AINDA NÃO”.

 

Outra característica notável é a constante intenção de controlar todas as variáveis que envolva o filho, como se isso fosse possível. Tenta-se controlar a saúde do filho para que nunca adoeça, evitar que ele nunca caia, se machuque, se decepcione ou se frustre. Isso se dá também porque os pais acabam por enxergar uma exagerada fragilidade na vida dos filhos. Na verdade toda vida é frágil, sendo criança ou não. Existe uma fragilidade como seres humanos no sentido de que o real sustento da vida vem do alto e pouquíssimo daquilo que está em nossas mãos. Quem idolatra seu filho vive essa cegueira espiritual de achar que pode controlar tudo, que suas ações são as que realmente podem gerar os verdadeiros frutos.

Sou eu que tiro a vida, sou eu quem faz viver!” (Dt 32,39)

Pessoas que vivem mergulhadas nessa idolatria, sobretudo aquelas que não possuem uma vida de fé profunda acabam se embasando em tendências psicológicas e pedagógicas, que justificam suas ações como práticas “boas” e “gentis”. Mas fiquemos sempre atentos pois muitos desses pensamentos podem nos acometer sem que percebamos.

Do ponto de vista das missões carismáticas, se em nosso coração existir essa idolatria, com certeza iremos tentar nos esquivar de estar nas missões por conta do excesso de cuidados que nossos filhos possam exigir, de acordo com nossa visão distorcida.

Sou idólatra?

Para avaliarmos se estamos sendo idólatras na educação de nossos filhos precisaremos fazer uma análise profunda, orarmos e se necessário utilizar a ajuda de orientadores, formadores, terapeutas. Isso porque nem sempre as respostas estão puramente nas ações, mas muito mais nas intenções que existem em nossos corações. Para essa reflexão devo pensar no porquê estou querendo que meu filho faça determinada coisa, porque o corrijo ou cuido dele de uma determinada forma. Como ajo ou reajo no meu dia-adia? Faço isso porque? Por preguiça, por soberba, por insegurança?

No fundo a idolatria quer tirar Jesus do centro e também nega a dor como importante via para a santidade. Seja na negação das dores que temos que suportar como pais no processo educativo, seja na negação da dor do meu filho em seu processo de amadurecimento. No fundo nega-se a cruz.

Para vencer qualquer uma das idolatrias é preciso sair de si mesmo, sair de seus confortos, sair de querer saciar seus traumas e carências no seu filho. Um verdadeiro adorador de Deus sai de si e por fim entende que não é capaz de fazer com que o filho se torne santo, mas apenas Deus. Se torna a o canal da santidade para o filho, se doando, se gastando e sabendo que tudo é obra Dele.

Leia mais: 

Educação para a Santidade

 

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