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Toy Story 4 – O Complexo do Garfinho.

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Toy Story 4, veio para finalizar (aparentemente) a sequência de filmes que começou em 1995 (ano que eu nasci, a propósito ~informação inútil para o texto~). Foram muitas aventuras através desses 24 anos, e essa missão final, na qual desenrolaram-se outras missões, me trouxe algumas reflexões sobre a vida nos âmbitos psíquico e espiritual. Queria partilhá-las com vocês.

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~ Esse texto falará abertamente sobre o filme, ou seja, contém spoiler ~

 

O Garfinho.

No primeiro dia de aula, Bonnie cria o Garfinho, seu novo brinquedo, feito de materiais reciclados. Porém o Garfinho não aceita ser um brinquedo e tenta a todo momento voltar para o lixo, mas Woody vendo como o Garfinho era importante para a Bonnie, se esforça e se gasta para que ele fique com a menina.

Me chamou a atenção de como essa situação reflete as histórias que acontecem repetidamente na vida real. Só porque veio de lá, o Garfinho acha que o lixo é o seu lugar de segurança. Mas pensa comigo, o cesto de lixo é descartado quando fica cheio, vai para o lixão e lá é queimado, esmagado ou sei lá, simplesmente deixado para apodrecer. Não tem nada de seguro no lixo.

Brinquedo, não lixo!

Deus nos chama a “ser brinquedo”, a “servir uma criança”. É Ele quem nos recicla, quem recolhe as partes que nós jogamos ou permitimos que o outros jogassem no lixo, e então cola e nos transforma em algo novo.

Então, por vezes ao longo da caminhada nós escolhemos voltar para o lixo, e Ele como o Woody no filme fica insistindo e dizendo: “Não! Não volta! Alguém precisa de você!”.

Quantas vezes na minha história eu não olhei para trás, não vi o que as pessoas que eu andava estavam fazendo e como suas vidas eram voltadas para a diversão enquanto eu estava penando para crescer, para me formar ao Carisma, e passando por processos doloridos e exigentes.

Nesses tempos os “altares antigos” me seduziam e eu queria voltar para o meu lixo. Mas Graças à Deus, nunca fui, fui sustentado e permaneci. Entretanto, eu poderia ter voltado (se essa é a sua realidade) e tenho certeza de que se tivesse, o Woody teria me alcançado no lixo e jogado de volta aos braços da Bonnie (que é a minha missão).

Quando o passado aprisiona.

Woody tenta explicar para o Garfinho qual a sua importância, tenta explicar que ele é um brinquedo, mas sua única resposta é “sou lixo”. Nós somos burros e cegos igual ao Garfinho. Dentre todos os brinquedos, só ele não percebia que ele não era mais lixo.

Nosso passado muitas vezes nos prende tanto que mesmo quando o abandonamos, continuamos aprisionados ao que éramos e não abrimos espaço para a liberdade de ser o de fato que somos.

O Garfinho só entende o que ele é quando Woody consegue explicar que sua presença e seus abraços quentinhos geram segurança na Bonnie. Nós só conseguimos entender que somos arco e flecha quando de fato encontramos o nosso alvo, a quem somos quase que a única possibilidade de céu.

O Woody.

Outro ponto é que, depois de Woody e Garfinho passarem um tempo juntos com o Cowboy contando sua história a ele, eles se separam e o Garfinho fica raptado pela Gabby Gabby, a vilã no filme. Durante esse momento, Garfinho começa a falar da vida de Woody, começa a “dar testemunho” dele.

E cara, para pra pensar: como a vida de Woody fala por ele. Cheio de defeitos como qualquer brinquedo (ou ser humano), porém, com um firme propósito: servir sua criança! Seu propósito fala por si, ele não precisa ficar falando sobre. Me lembra muito a máxima de São Francisco de Assis:

“Pregue a todo tempo, se necessário, use palavras”

Com o Woody, nenhum brinquedo é deixado para trás, nem que seja preciso saltar de um trailer ou de um carro em movimento, pular a janela, atravessar a rua no meio dos carros ou enfrentar qualquer outra situação. Como seria bom se nós fossemos de fato persistentes nesse sentido com os nossos irmãos, sempre dispostos a nos gastarmos para socorrê-los em suas necessidades.

A morte que gera vida.

Nosso vaqueiro aprende nessa animação que muitas vezes é preciso doar uma parte de nós para que o outro possa ter a vida restituída. Gabby Gabby é uma boneca antiga que tem a sua caixa de falas (a caixinha que fica nas costas e emite as falas quando puxa a cordinha, sabe?) danificada e por isso vive largada na loja de antiquarias há muito tempo.

Meio a contra gosto, depois de fugir uma boa parte do filme, Woody cede a sua caixa em perfeito estado para ela. Isso significa que nunca mais ele vai falar sua emblemática fala “tem uma cobra na minha bota”. Naquele momento, Woody morreu um pouco para gerar vida em Gabby Gabby.

Quando nos entregamos à missão, nunca mais vamos ter aquele tempo de volta, nunca mais vamos ter as viagens de volta, ou os passeios no parque ou qualquer outra coisa de grande importância. Mas essa nossa morte gera vida, tanto em nós quanto principalmente naqueles que são o nosso alvo.

Quando eu entro na fundação casa de domingo de manhã, ou me vou à formação à tarde, morrem diversas possibilidades, de ficar em casa com meus pais, de sair com a minha namorada, de rever amigos. Mas nasce em mim um homem novo, com suporte psíquico e espiritual adequado ao Carisma e nascem nas fundações casa meninas com possibilidade de perdoar, serem perdoadas, serem amadas, serem santas.

Nós não somos lixo, apesar de termos vividos nele por muito tempo, somos brinquedos com uma missão específica: servir nossa criança, inclusive morrendo para que ela possa ter vida nova.

Que Jesus nos ajude a cada dia estarmos mais dentro desse propósito!

Tamo junto!

 

Assinatura: Danyel Cayetano, brother adotivo e discípulo de Jesus, crítico cultural renomado (por mim mesmo). Se for para bater uma bola, conversar, rezar, assistir algo, comer ou combinar alguns desses itens, pode me chamar que eu chego com os refri! #EuSouCultura

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