Quem é o Senhor do seu domingo?
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Quem é o Senhor do seu domingo?

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Nós Católicos Apostólicos Romanos, sabemos e dizemos que o domingo é dia de missa! Mas é apenas isso? Quem é o Senhor do seu domingo?

A missa é sim o centro da nossa fé e ápice do nosso Domingo, no entanto, devemos lembrar que além de “dia de missa”, que em geral dura 1 hora, o domingo é O Dia do Senhor! 

Nesses últimos meses, após me deparar com o Documento Dies Domini, escrito pelo Santo Papa João Paulo II, e que, de forma superficial conheceremos nesse artigo, tenho me perguntado se realmente nós de fato entendemos o que significa “o dia do Senhor” e também quem de fato é “o senhor do nosso dia”.

LEIA O DOCUMENTO DIES DOMINI NA ÍNTEGRA

Para iniciar nossa reflexão, gostaria de apresentar-lhes esse riquíssimo documento, o Dies Domini (Dia do Senhor). O documento se desenvolve em 5 capítulos que (resumidamente), propõe as seguintes reflexões: 

DOCUMENTO DIES DOMINI

Cap I – Dies Domini

Nesse capítulo o sumo pontífice nos traz a reflexão a partir da criação, ou seja, do que encontramos no evangelho segundo São João 1, 3 “Tudo foi feito por meio dEle e sem Ele nada foi feito” do livro Gênesis 1 1-31 e 2, 1-4.

A partir do trecho do evangelho, percebemos que Jesus Cristo, estando desde sempre com o Pai na criação, ao manifestar-se homem traz uma nova perspectiva de criação, uma vida nova sem as manchas dos pecados antepassados.

A sequência do capítulo se dá com base na narrativa da criação do mundo e predileção de Deus pela criação do homem, submetendo tudo à sua governança, possibilitando-o decidir-se livremente pela santidade e, com sabedoria, conduzir toda a criação de volta à Deus, de maneira que tudo seja reflexo do criador.

Após a criação, no sétimo dia Deus descansou, pois havia percebido que tudo o que havia criado era muito bom, como encontramos em Gn 1, 31.

Deus se alegrou com o que havia criado e abençoou o sétimo dia, com isso, esse dia sagrado passa a ser o tempo reservado para que a obra criativa de Deus volte o seu olhar para o seu criador, encontrando ali uma grande oportunidade de repousar no colo do Pai, como destacada o documento:

“O dia do Senhor é, por excelência, o dia desta relação, no qual o homem eleva a Deus o seu canto, tornando-se eco da inteira criação”.

A partir da ressureição de Jesus, evento que marca definitivamente o “Dia do Senhor”, o que antes era celebrado ao Sábado, passa a ser celebrado no Domingo, nova perspectiva, nova criação, nova vida!

Cap II- Dies Christi – Dia de Cristo

O segundo capítulo refere-se ao Domingo como dia de celebrar a Pascoa do Senhor Jesus Cristo e o dom do Espírito Santo, pois foi também nesse dia, após cinquenta dias da Páscoa do Senhor, que o Espírito Santo se manifestou em Pentecostes aos discípulos como encontramos em At 2, 1.

Cap III- Dies Ecclesiae – Dia da Igreja

A celebração de Jesus Ressuscitado se dá em comunidade, por isso é importante que a comunidade se reúna para bem fazê-lo e, claramente, o dia do Senhor é a opção desejada para isso. Em perspectiva de celebração e reunião, trazemos também a Eucaristia celebrada em toda Santa Missa e, nesse caso, de forma especial, as celebrações dominicais, que a partir de toda essa perspectiva ganham um caráter e um peso todo especial.

Cap IV- Dies Hominis – Dia do Homem

Celebrar o domingo, o dia do Senhor, é dia de festa para a comunidade Cristã já que é quando o povo se reúne para encontrar o seu Senhor, o Senhor de todas as coisas, Aquele que trouxe pleno cumprimento à toda lei e costume, como as interpretações que haviam acerca do Sábado pela comunidade judaica.

Cap IV- Dies Dieron

Vivenciar o domingo é experimentar o tempo como dimensão eterna do Deus, princípio e fim, o dia em que a comunidade dá o grito de “Maranatha” – “vinde Senhor Jesus” –  e também oportunidade de ordenar a vida para bem viver todo o ano litúrgico, que possuí o seu ponto máximo com a celebração da Páscoa, a solenidade das solenidades. Depois, Pentecostes e em seguida o Natal do Senhor.

LEIA O DOCUMENTO DIES DOMINI NA ÍNTEGRA

O testemunho de um judeu

Ainda dentro da perspectiva reflexiva, tive a oportunidade de conhecer uma pessoa israelense em meu ambiente de trabalho, que vive com muita radicalidade o “Shabat”, regra original da cultura judaica que, como vimos acima, foi fonte de inspiração para o nosso Domingo.

Pois bem, o que me chamou atenção foi como essa pessoa organiza a sua vida em função dessa regra e ainda, de maneira indireta, faz com que todos os que estejam trabalhando com ela vivam igualmente esse preceito!

Nesse caso, o preceito começa sexta-feira no final da tarde até o sábado no início da noite. Para terem uma ideia, aos que não sabem, nem elevador, a pessoa que vive intensamente esse preceito pode pegar, sem contar o não manuseio de dinheiro, cartões de crédito e etc.

Esse testemunho me chamou atenção e me fez pensar, e eu, também vivo com radicalidade o dia mais sagrado da minha semana?

Somos tentados, nos apoiando no conceito de descanso, a usarmos o domingo exclusivamente ao nosso favor. E isso envolve muitas coisas que, pelo fato de sermos impactados violentamente por propagandas que nos propõe o consumismo, que nos propõe a preguiça, acabamos que, infelizmente sem perceber, nos misturando nessas realidades e quando vemos, pronto: quem assumiu o senhorio do meu domingo passou a ser o pecado e não o Senhor!

Já reparou como é mais difícil manter a sua rotina de oração no Domingo? Ou é só comigo esse problema?

Estratégias de mudança

Tenho pensado em algumas estratégias contra essa situação e que de certa forma pode ajudar a tornar o meu Domingo mais santo e o Senhor mais protagonista do mesmo.

São elas:

  • Será que ao invés de ir ao shopping ou a algum restaurante, estimulando a economia nesse dia, não seria melhor organizar um simples almoço em família? Se não sou a favor de trabalhar no domingo, não estimulo a economia nesse dia!
  • Será que não consigo me programar para fazer compras no Supermercado em todos os outros seis dias da semana?
  • Será que ao invés de passar o dia dormindo não posso sugerir um passeio no parque com minha família?
  • Não seria providencial estabelecer um horário fixo, além da missa, para me relacionar com Deus?

Enfim, não é algo fácil e nem simples, mas é preciso refletir:

Do que posso me livrar para que o Senhor seja o centro do meu Domingo?

Faça o seu exame de consciência e juntos vamos lutar para darmos o merecido protagonismo ao Senhor Jesus em nossos domingos!

Paz e Fogo

Rodrigo Fumagalli
Discípulo da CACL

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